Reitora Vera Maquêa fala sobre desafios e avanços da Unemat, no período de 2023-2026
"Avançamos de forma equilibrada em todas as frentes", avaliou a reitora
Por Danielle Tavares
22/01/2026
A reitora Vera Maquêa e o vice-reitor Alexandre Porto assumiram a gestão da Unemat, pelo período 2023-2026, com o desfio de administrar a Universidade em um contexto ainda pós-pandemia, em que a comunidade acadêmica estava se reorganizando para o retorno presencial.

As propostas desta gestão articularam-se dentro de cinco eixos principais: Conectar-se com a sociedade, Valorizar as pessoas, Democratizar o conhecimento, Aprimorar a gestão participativa e Educar para a vida. “Nossa gestão é guiada pelo compromisso de transformar esses cinco eixos em entregas concretas. Avançamos de forma equilibrada em todas as frentes. O desafio agora é consolidar essas conquistas, garantindo que a valorização das pessoas seja um legado duradouro da nossa gestão”, afirmou a reitora.
Em entrevista à Diretoria de Comunicação (Dicom), Vera Maquêa faz um balanço sobre as entregas em cada um desses cinco eixos e fala das perpectivas para este último ano de gestão.
Um dos maiores compromissos da atual gestão é a valorização das pessoas. Quais as principais ações e políticas nesse sentido?
Para nossa gestão, valorizar as pessoas é um compromisso que se traduz em ações concretas e resultados tangíveis. Entendemos que a universidade é um organismo vivo e que sua excelência depende diretamente da valorização de quem a constrói no dia a dia. Há muito trabalho feito nesse aspecto, mas vou destacar alguns. Realizamos, com sucesso, o concurso público para profissionais técnicos, o que nos permitiu integrar ao quadro servidores como psicólogos e assistentes sociais, bem como profissionais em várias áreas para melhorar a vida na universidade e no atendimento à sociedade e ao próprio governo. Além disso, investimos pesado na qualificação, por meio da segunda edição do Poleduc, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, e de cursos de formação continuada, garantindo que o servidor técnico tenha perspectivas reais de crescimento. Ainda, nessa linha, temos muito orgulho de sermos a primeira universidade pública do país a oferecer um MBA em Formação de Liderança Feminina. É uma ação que reconhece o papel das mulheres na gestão pública e acadêmica, preparando-as para os desafios do futuro. Também implementamos políticas rigorosas de prevenção e combate ao assédio, criando um ambiente de trabalho e estudo mais seguro, ético e respeitoso para todos. No campo acadêmico, mantemos um diálogo firme e avançado com o Governo do Estado, via Seplag [Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão], para a viabilização do concurso público para professores, visando recompor nossa força docente e garantir a continuidade da nossa excelência e, ainda, seguimos atuando na defesa e aprimoramento do Plano de Carreira dos Profissionais Técnicos, assegurando que os direitos conquistados sejam respeitados e ampliados. Essas ações mostram que nossa gestão não olha apenas para os números, mas para a vida de cada membro da nossa comunidade. Valorizar o servidor e o aluno é, em última análise, o que sustenta a qualidade da nossa universidade, como temos defendido desde o primeiro dia da nossa gestão.
Uma ação grande vem sendo desenvolvida para consolidar a reorganização dos cursos de graduação. Quais os desafios nessa área?
Nosso maior desafio é equilibrar a presença e o atendimento às demandas dos municípios e do estado, considerando o território imenso que é Mato Grosso, no modelo multicampus que constitui a nossa universidade, com a manutenção da excelência acadêmica. Entendemos que as demandas dos municípios são dinâmicas. Por isso, de forma inovadora, a Unemat implementou turmas únicas para atender necessidades pontuais e urgentes de cidades distantes. Isso permite que a universidade cumpra sua função social sem criar estruturas ociosas a longo prazo, levando desenvolvimento humano exatamente onde ele é necessário. Nossas decisões não são unilaterais. Elas emanam da base, seguindo as diretrizes do nosso Congresso Universitário, concluído em dezembro de 2017, e do Planejamento Estratégico Participativo. Foi essa construção coletiva que permitiu ao nosso Conselho Universitário (Consuni) aprovar a resolução de acompanhamento e avaliação dos cursos de graduação. A nova resolução é uma ferramenta de gestão que nos permite avaliar resultados e ajustar rotas, garantindo que o diploma da nossa universidade tenha o mesmo valor e peso, independentemente da distância geográfica do câmpus. Em suma, reorganizando a graduação para que ela seja mais flexível no atendimento ao interior, mas rígida e transparente no controle de sua qualidade, podemos atender as pessoas que mais precisam de políticas públicas em todo o estado.
A pós-graduação registrou crescimento e investimento nos últimos anos. Quais as principais conquistas nesse setor?
O crescimento da nossa pós-graduação é o reflexo de uma política institucional que entende a pesquisa como o motor da inovação. Em nossa gestão, realizamos uma expansão histórica e qualificada, sem precedentes. Alcançamos a abertura de 4 novos doutorados, 2 mestrados, além de uma robusta ampliação da pós-graduação lato sensu. Isso significa que estamos formando doutores e mestres dentro do nosso estado, fixando talentos e gerando conhecimento aplicado à nossa realidade. Observamos um avanço significativo no envolvimento de nossos professores doutores na pós-graduação stricto sensu. Esse movimento, não apenas elevou nosso índice de produção científica, mas também aumentou nossa competitividade na captação de recursos externos, por meio de editais e projetos de fomento. A qualidade da nossa pesquisa, hoje, rompe fronteiras. Estamos atraindo estudantes e pesquisadores estrangeiros, o que enriquece o ambiente acadêmico e coloca nossa universidade no mapa da ciência global. Além do stricto sensu, a expansão da pós-graduação lato sensu tem nos permitido responder de forma ágil às demandas de especialização do mercado de trabalho e da gestão pública em Mato Grosso. Essas conquistas mostram que a universidade amadureceu. De uma instituição focada majoritariamente no ensino, consolidamo-nos como um centro de excelência em pesquisa que atrai investimentos e produz ciência de alto impacto.
Quais políticas de acesso e permanência estudantil vem sendo desenvolvidas?
Para nós, democratizar a universidade significa garantir que o aluno não apenas entre, mas que ele tenha condições reais de concluir seu curso com dignidade. Por isso, transformamos a assistência estudantil em uma política institucional, com foco no desenvolvimento do nosso estudante. Fortalecemos e ampliamos os auxílios fundamentais, como moradia, alimentação e transporte. Ampliamos a oferta de bolsas em diversas modalidades, como monitoria, extensão, pesquisa, esporte, entendendo que o suporte financeiro direto é um dos maiores indutores do sucesso acadêmico e da redução da evasão. Além disso, a integração de psicólogos e assistentes sociais ao nosso quadro técnico nos permitiu criar orientações de políticas para uma rede de apoio psicossocial, fundamental para que o aluno supere as dificuldades que vão além da sala de aula. Essas políticas não são apenas assistenciais. Elas são de desempenho. O aluno que recebe o apoio da universidade apresenta índices de aproveitamento e conclusão que provam que o investimento social retorna para a sociedade na forma de profissionais qualificados. O desafio da nossa gestão tem sido garantir que, mesmo diante das oscilações econômicas, o orçamento da assistência estudantil seja preservado. O sucesso de um aluno que vence a barreira da pobreza e se forma é a maior prova de que a universidade pública está cumprindo sua missão.
Existem as demandas de concurso para docentes e de implemnteção do novo PCCS dos profissionais técnico-administrativos. Como estão as negociações?
Esta é uma prioridade que tratamos com dedicação pessoal diária. A realização do concurso para técnicos foi um passo fundamental, mas nossa missão só estará completa com a concretização do novo PCCS e do concurso docente. Estamos trabalhando na interlocução com o Governo do Estado para a aprovação e implantação do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Minha postura como Reitora, junto com o Vice-reitor, Alexandre Porto, com nossos pró-reitores e equipes, tem sido a de demonstrar que o PCCS não é um gasto, mas um investimento na modernização e na eficiência da nossa universidade. Estamos na fase de avaliação orçamentária, sempre defendendo a valorização que a categoria merece e aguarda há anos. Ao mesmo tempo, estamos trabalhando para a realização do Concurso Docente. A necessidade de recomposição do nosso quadro de professores é um pleito que levamos a todas as mesas de negociação com a Seplag, a Casa Civil e com o próprio governador. Apresentamos um estudo técnico detalhado que mostra como o concurso é vital para manter a expansão da pós-graduação e a qualidade dos nossos cursos de graduação, o desenvolvimento da pesquisa, da inovação, da extensão, da cultura, enfim, de todas as áreas de atuação da universidade. Mais do que apenas enviar ofícios, nossa gestão está presente nas secretarias, dialogando e construindo soluções viáveis. Temos encontrado um governo aberto ao diálogo, e o nosso papel é garantir que a relevância da nossa universidade se traduza em celeridade para essas pautas. A valorização dos nossos profissionais é o que garante que a universidade continue sendo o orgulho de Mato Grosso.
Vemos obras e reformas acontecendo em todos os câmpus da Unemat. Qual o valor dos investimentos e as principais obras?
Esta é, sem dúvida, uma das marcas mais visíveis do nosso compromisso diuturno com a universidade. Assumimos com a convicção de que a dignidade no ensino e no trabalho exige infraestrutura de qualidade. Hoje, não há um único câmpus da nossa instituição que não tenha sentido a presença de uma gestão forte, com seus diretores e gestores regionais, seja por meio de reformas estruturais ou de construções totalmente novas. Já ultrapassamos, neste ano de 2025, a marca de 180 milhões de reais investidos em obras na universidade por todo o estado. Nossa projeção é sólida: até o encerramento da nossa gestão, em 31 de dezembro de 2026, teremos investido seguramente mais de 200 milhões de reais na modernização da nossa estrutura física. Nosso planejamento foi rigoroso para garantir que o investimento não ficasse centralizado. Estamos reformando salas de aula, laboratórios de ponta, complexos esportivos etc, em cada uma de nossas unidades. Destaco a entrega de novos blocos acadêmicos, a modernização de laboratórios de pesquisa que dão suporte aos nossos novos doutorados, e as melhorias essenciais em acessibilidade e sustentabilidade energética, que preparam a universidade para as próximas décadas. Mais do que cimento e tijolos, esses 200 milhões representam o respeito aos nossos alunos, técnicos e docentes. Estamos construindo um ambiente que inspira a produção do conhecimento e orgulha o cidadão de Mato Grosso. É o resultado de uma gestão que trabalha incansavelmente na captação de recursos e na execução eficiente de cada projeto.
O que a senhora considera estar sendo a marcada sua gestão?
Embora os números e as obras sejam impressionantes — e estamos orgulhosos de entregar, pela primeira vez na história, uma Sede da Reitoria à altura da nossa grandeza —, não gostaríamos de ser lembrados apenas pelo concreto. Reconheço que reitores anteriores pavimentaram com muito esforço o caminho para que chegássemos a este momento de sucesso junto ao Governo do Estado, mas a marca que desejamos deixar é outra. Queremos que nossa gestão seja lembrada, acima de tudo, como aquela que investiu em gente. A verdadeira marca da nossa gestão é o cuidado com as pessoas. Quero ser lembrada como a Reitora que apostou no futuro dos profissionais, realizando concursos e garantindo que o quadro técnico e docente fosse fortalecido com estabilidade e dignidade. Cuidou da comunidade acadêmica e promoveu a ascensão pelo conhecimento, investindo na qualificação, no Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior (Poleduc), no MBA de Liderança Feminina e em planos de carreira que permitam ao servidor sonhar, planejar a vida e crescer. E também, combatendo o assédio, contribuindo para um ambiente de trabalho saudável, em que todos.as possam existir com segurança e dignidade. E também a gestão que contribuiu de forma evidente garantindo auxílios de permanência para os alunos e humanizando as relações de trabalho. Se, ao final de 2026, nossa comunidade se sentir mais valorizada, mais saudável e mais respeitada em suas trajetórias humanas, terei a certeza de que cumprimos nossa missão. Nossa maior obra não é de tijolos; é a valorização da vida de cada pessoa que compõe esta universidade.
Temos praticamente somente mais um ano de gestão pela frente. O que ainda precisa ser feito?
Respondo a essa pergunta com o coração pulsando e a mente focada naquilo que de fato faz sentido e urge. Embora tenhamos cumprido praticamente todos os compromissos de gestão, nossa missão só estará plenamente realizada quando entregarmos as duas chaves mestras de valorização da nossa comunidade com relação à carreira e ao concurso. Quero enfatizar que o investimento histórico que recebemos não é por acaso. O Governo do Estado de Mato Grosso, que é reconhecidamente exigente e austero, acredita na nossa Universidade porque nossos servidores entregam muito. Entregamos política pública de ensino superior de altíssima qualidade; entregamos competência, seriedade e um compromisso inegociável com os recursos públicos. O Governo investe na Unemat porque respondemos com resultados que transformam o Estado. Nossos técnicos e docentes são a alma dessa potência. Eu acredito, com cada fibra do meu ser, que o conhecimento transforma, e nossa missão é garantir que essa transformação continue acontecendo com dignidade para quem a promove e para quem dela participa. Trabalhamos diuturnamente porque a universidade pública é o maior instrumento de mudança, de ascensão, de mobilidade social de Mato Grosso. Em 2026, poderemos concluir nosso mandato, Prof. Alexandre Porto e eu, certos de que fizemos uma gestão cuidando de quem transforma vidas.
Assessoria de Comunicação - Unemat
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